
Esfera Celeste, 2025
Projeto:
Bambu, tecido translúcido e marcações no solo com pigmento branco
Ano:
2025
A instalação propõe uma leitura simbólica e sensorial do céu andino por meio da criação de uma esfera celeste aberta no deserto do Atacama, construída com estruturas de bambu e tecido translúcido. No interior da cúpula, são projetadas constelações da astronomia andina, como a Yakana (a lhama), formando um planetário ancestral em diálogo com o território.
A obra se apoia no uso do espaço e da luz natural, respeitando o ciclo do dia e a mutação das sombras. As constelações não são marcadas por estrelas convencionais, mas por figuras de sombra — seguindo a cosmologia dos povos originários dos Andes, que identificam formas escuras na Via Láctea como animais sagrados. No chão, um traçado com pedras e pigmentos alude à chakana (cruz andina), conectando céu e território por meio de linhas imaginárias e orientações astronômicas.
Mais do que um observatório, a instalação funciona como um dispositivo de escuta do tempo e da paisagem — um convite à contemplação do cosmo não sob a ótica ocidental, mas a partir das cosmologias originárias, em que céu, terra e corpo formam uma totalidade viva.



